Estudo mostra que audiência fica menos propensa a investir em marcas com “cheiro de IA”; problema vai além da criação de conteúdo

Willian Porto
4 Min Read

A simples aparência com um conteúdo de IA é suficiente para minar a percepção do público sobre o conteúdo

Destaques
  • Um conteúdo que pareça com IA vale menos
  • Pessoas estão menos dispostas a investir nessas marcas
  • Mais do que quem criou, é importante avaliar o que criou

Em um cenário onde a produção de conteúdo se tornou mais rápida do que nunca, uma questão fundamental se impõe para os publishers brasileiros: como o público percebe o conteúdo que ele consome?

Um estudo recente da Raptive, apesar de ter sido conduzido nos EUA, traz insights valiosos e totalmente aplicáveis à realidade brasileira.

A principal conclusão é que, independentemente de o conteúdo ter sido gerado por uma IA ou não, a mera percepção de que ele foi feito por uma máquina já é suficiente para corroer a confiança e a credibilidade.

O público está cada vez mais sensível e desconfiado. Ao se deparar com um texto que parece genérico, repetitivo ou sem personalidade — características frequentemente associadas à IA —, o leitor automaticamente reage com menos engajamento e, mais grave, com uma perda de confiança na sua marca.

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O impacto da IA na receita

Para publishers que dependem de receita publicitária, essa percepção tem um impacto direto e financeiro. O estudo demonstrou que a desconfiança gerada pelo conteúdo artificial se espalha para tudo que está ao redor.

Pense nisso como um “cheiro de IA”. Se o seu conteúdo exala artificialidade, ele contamina os anúncios e as marcas que aparecem na mesma página. As marcas buscam um contexto seguro e de alta qualidade para suas campanhas.

Se o ambiente parece inautêntico, a percepção de valor daquela publicidade cai. Isso pode levar a uma menor atração de anunciantes ou, em cenários mais extremos, à diminuição dos CPMs (Custo por Mil Impressões), impactando diretamente sua receita.

Para 48% das pessoas, o conteúdo parecia menos confiável. Já para 57%, havia menos autenticidade. Isso impactou em 14% na consideração de compra.

Fonte: Raptive

Publishers: autenticidade

Em um mercado inundado por conteúdo, a sua vantagem competitiva está na sua humanidade. Para publishers brasileiros, isso significa:

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  • Invista em voz e tom: Desenvolva uma voz editorial única, com a qual a sua audiência se identifique. Seja por meio de reportagens aprofundadas, análises contextuais ou histórias exclusivas, o seu conteúdo deve ter a assinatura humana inconfundível.
  • Priorize a jornada humana: A sua credibilidade foi construída com tempo, esforço e investimento em jornalismo de qualidade. Essa confiança é um ativo inestimável que nenhuma IA pode replicar. Mantenha o foco em reportagens investigativas, entrevistas exclusivas e análises que demonstrem conhecimento e experiência.
  • Eduque sua audiência e anunciantes: Deixe claro que o seu conteúdo é produzido por profissionais qualificados. Comunique a sua política editorial e a importância da curadoria humana. Isso não só reforça sua autoridade, como também atrai anunciantes que valorizam um ambiente de marca seguro e autêntico.

Aqui, precisamos sair do senso comum. Autenticidade não deve ser visto como um termo vazio ou sinônimo de criação humana.

Quando pensamos em autenticidade, falamos de:

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  • personalidade definida do portal, ele não é um vazio de ideias que pode dizer qualquer coisa;
  • defende claramente as ideias que lhes são claras;
  • não apenas noticia, mas também repercute;
  • vai além do senso comum, trazendo ideias, visões e coberturas diferentes dos demais.

No final das contas, o público não quer apenas informação. Ele busca uma conexão, um ponto de referência confiável e uma voz com a qual ele possa contar. Em um mundo cada vez mais automatizado, o toque humano e autêntico é fundamental.

Publisher e Especialista em SEO | Web |  + posts

Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.

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