- Pessoas entendem IA de forma diferente no Brasil
- Região, idade, classe sociais e grau de instrução são preponderantes nas ações das pessoas
Um estudo inédito e abrangente realizado pelo Instituto de Pesquisa Datafolha, em parceria com a Fundação Itaú, revela um retrato fiel de como os brasileiros consomem, utilizam e percebem a Inteligência Artificial (IA) em seu cotidiano. A pesquisa, intitulada “Consumo e uso da Inteligência Artificial no Brasil“, ouviu 2.798 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país e traça um panorama complexo: uma tecnologia de alta penetração, mas cercada de desconhecimento, esperança e receio.
- Familiaridade: entre o “ouvir falar” e o “entender”
- Como as pessoas aprendem sobre Inteligência Artificial?
- O que as pessoas usam de Inteligência Artificial?
- Como as pessoas usam IA?
- Por que não usam?
- Preocupações
- O papel dos portais de notícia na era da IA
- Desafios futuros em uma sociedade cada vez mais conectada
O relatório mostra que a IA já não é um conceito futurista, mas uma ferramenta presente no dia a dia de 93% da população. No entanto, a relação com ela é paradoxal. Enquanto a maioria a utiliza para tarefas diárias, muitos não compreendem seu funcionamento e se dividem sobre seus impactos no futuro do trabalho e da sociedade.
Vamos mergulhar nos principais achados da pesquisa.
Familiaridade: entre o “ouvir falar” e o “entender”
A conscientização sobre a existência da IA é alta, mas a compreensão profunda ainda é um desafio.
- Conhecimento vs. Entendimento: 82% dos brasileiros afirmam já ter ouvido falar sobre Inteligência Artificial. Contudo, quando questionados sobre o quanto entendem do termo, o número cai para 54%. Isso revela um gap significativo entre a popularidade do conceito e a literacia digital da população.
- Recortes Sociais: O entendimento sobre IA é maior entre os mais jovens (77% entre 16 e 24 anos), pessoas com Ensino Superior (81%) e das classes A/B (74%). Por outro lado, a falta de entendimento é mais acentuada no Nordeste (41% não entendem nada sobre o tema), entre pessoas com mais de 60 anos (55%) e das classes D/E (53%).
- Fonte de Informação: A principal porta de entrada para o conhecimento sobre IA são as redes sociais (66%), como WhatsApp, Instagram e Facebook. Jornais e noticiários aparecem em segundo lugar (44%), seguidos por filmes e ficção científica (25%). Este dado é crucial, pois indica que a percepção de muitos brasileiros é moldada por conteúdos de consumo rápido e, por vezes, superficiais.

Os dados mostram que, embora muita gente já tenha ouvido falar em Inteligência Artificial, boa parcela da população ainda não sabe, ao certo, sobre o que se trata.
Nesse sentido, os Publishers e toda sociedade precisam explicar toda utilização que envolva Inteligência Artificial, uma vez que há desconhecimento prático sobre o tema.
Em virtude da disparidade de conhecimento existente, conteúdos que não expliquem o potencial e os desafios das novas tecnologias tendem a aumentar a distância entre aqueles que as compreendem e aqueles que não as compreendem o funcionamento.
Observe que os indivíduos minoritários também são os que têm maior desconhecimento, principalmente as diferenças de:
- região e cidade
- idade;
- escolaridade;
- classe econômica;
- raça e cor;
- religião.

Além disso, quando as pessoas podem definir espontaneamente o que é Inteligência Artificial, a maior parte das pessoas conectam a matéria a finalidade mais imediata:

Ao analisar os resultados, também é possível entender que as classes mais baixas são as que ligam Inteligência Artificial ao seu uso imediato, enquanto as mais altas são capazes de reflexões conectadas aos problemas causados por elas, bem com ao funcionamento teórico.

Como as pessoas aprendem sobre Inteligência Artificial?
A maior fonte de conhecimento sobre IA são redes sociais, acompanhado de jornais e noticiários. Parte minoritária das pessoas aprende no ambiente de trabalho, utilizando as ferramentas de fato ou cursos e materiais escolares.

Ainda que as diferenças elencadas acima continuem nesse cenário, percebe-se que mesmo as pessoas com escolaridade superior também são muito influenciadas por redes sociais:

O que as pessoas usam de Inteligência Artificial?
Quando perguntadas sobre utilização de Inteligência Artificial, as pessoas, normalmente, a conectam com redes sociais e recomendações. Apenas para 43% dos casos, há utilização de ferramentas de texto. Em 17% dos casos, são utilizadas diariamente.
Surpreendentemente, apenas 31% utilizam ferramentas de geração de imagens ou de vídeo, embora sejam muito famosas e utilizadas.

No caso da produção de conteúdo, a utilização é condicionada por idade (sendo usada pelos mais novos), escolaridade (com maior formação) e por classe econômica (mais próximos da classe A).

Como as pessoas usam IA?
A utilização de Inteligência Artificial é predominante para atividades banais, como buscas, resumos de documentos e recomendações.
Por outro lado, menos pessoas já tentaram usar para tarefas mais complexas, como gerar códigos, fazer análises e identificar padrões.

A utilização para obtenção de recomendações e buscas é justamente um dos fatores que tem levado à crise em portais de notícias e conteúdo.
Observe que eles são utilizados, mais uma vez, de forma desigual pela população. Os mais velhos e com níveis de escolaridade mais baixo, utilizam menos para tais fins:

Por que não usam?
Por outro lado, faz sentido perguntar para quem não utiliza os motivos para tanto. A maior parte das pessoas dizem “não ter interesse”. Para 24% da população, principalmente os que têm ensino fundamental e de classe mais baixa, a falta de informação é um problema.

Destaca-se também que apenas para 15% a falta de confiança é um problema.
Quando perguntados sobre o interesse em aprender sobre Inteligência Artificial, observa-se que os mesmos grupos anteriores também têm tendência menor em querer aprender (região, idade, escolaridade e classe econômica). Por outro lado, mulheres mostram menos interesse sobre o tema em comparação com os homens (59 x 41).

Preocupações
De forma geral, a preocupação com uso indevido de IA está ligada ao nível de escolaridade. A falta de regulamentação e os danos possíveis são apontados mais pelos que possuem curso superior (87%) se comparados com os de ensino fundamental (63%).
Enquanto que 2% das pessoas com mais instrução consideram como “nada” perigoso, o valor sobre para 17% para aqueles que têm apenas o ensino fundamental.

Quanto às fake news, o mesmo fenômeno acontece. Enquanto apenas 3% da população com ensino superior não acredita em informações falsas por IA, o valor sobre para 20% para aqueles com ensino fundamental.

Quanto aos problemas mais diversos, como proteção de dados, desemprego, regulação e crise climática, o mesmo acontece.


Entretanto, diferentemente dos demais casos, quanto menos práticos e visíveis são os problemas (como crise climática e preconceitos), menor é a problematização da sociedade como um todo.
Para crise climática, por exemplo, mesmo os mais estudados temem o agravamento com IA em apenas 14%.
O papel dos portais de notícia na era da IA
Os dados da pesquisa sublinham a importância dos jornais e noticiários como segunda principal fonte de informação sobre IA. Esse fato confere aos portais de notícia um papel crucial, não apenas de reportar os avanços tecnológicos, mas de atuar como educadores.
Por outro lado, a pesquisa mostra que o conhecimento sobre a IA ainda é superficial, com a maioria das pessoas conectando a tecnologia a usos imediatos, como buscas e recomendações. Para os portais de notícias, isso significa ir além da simples notícia de lançamento de novas ferramentas.
Eles precisam explicar o “como” e o “porquê” da IA, desmistificando seus conceitos, destacando seus riscos e mostrando seu potencial de forma clara e acessível. Ao fazerem isso, eles ajudam a diminuir a disparidade de conhecimento que afeta grupos minoritários, como os menos escolarizados, os mais velhos e as classes mais baixas.
No entanto, essa responsabilidade também vem com um desafio. A pesquisa aponta que a utilização da IA para buscas e recomendações é um dos fatores que tem contribuído para a crise nos portais de notícias, já que as pessoas acessam o conteúdo de forma fragmentada, muitas vezes sem passar pela página principal.
A forma como os portais de notícia se adaptam a esse novo ambiente, equilibrando a entrega de conteúdo via IA e o aprofundamento do tema, será crucial para a sua sobrevivência e relevância.
Quando pensamos em IA, esquecemos que uma parcela importante da população ainda não sabe (ou não quer) lidar corretamente com as tecnologias, principalmente as generativas. Dessa forma, é temerário construir estratégias que sejam completamente ligadas aos resultados generativos.
Desafios futuros em uma sociedade cada vez mais conectada
O estudo demonstra que a IA já está consolidada no cotidiano brasileiro, e essa realidade nos força a olhar para o futuro e os desafios que se apresentam. A pesquisa revela uma grande preocupação com o uso indevido da tecnologia, como a disseminação de fake news e a falta de regulamentação. No entanto, a preocupação diminui consideravelmente quando os problemas são menos visíveis, como a proteção de dados e a crise climática.
Isso aponta para um dos maiores desafios futuros: o de educar a população sobre os riscos mais complexos e menos óbvios da IA. É preciso elevar o nível de discussão para além das preocupações imediatas, como o desemprego, e incluir temas como a segurança de dados, a ética no desenvolvimento de sistemas autônomos e o uso da IA para combater, e não agravar, desafios globais.
Além disso, a pesquisa destaca que a falta de informação ainda é um problema para uma parcela significativa da população, e que o interesse em aprender sobre a IA é menor entre os mesmos grupos que já demonstram menor entendimento. Portanto, um desafio-chave é criar estratégias de educação e inclusão digital que sejam atraentes e acessíveis a todos, garantindo que o avanço tecnológico não se torne mais um fator de desigualdade social.
Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.
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