Portal Exame faz conteúdo com vilãs de novelas que não existiram; audiência questiona táticas

Willian Porto
4 Min Read

Exame cita várias vilãs que não existiram nas novelas

Na última sexta-feira (22), o Portal Exame publicou um conteúdo qualquer, provavelmente, planejando atrair visitas via Discover. Isso, de fato, deve ter acontecido. Entretanto, nesse caso, quanto mais gente via, mais gente reclamava.

Não sem motivo. O portal criou uma lista de 10 vilãs icônicas das TV brasileira. O problema é que muitas delas não existem.

O conteúdo

Como sabíamos que a chance desse conteúdo ser excluído era grande, salvamos para pudéssemos discutir o caso. Você poderá acessá-lo aqui.

Observe alguns dos itens mais críticos:

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Vilãs não existem. Fonte: Divulgação
Vilãs não existem. Fonte: Divulgação
Vilãs não existem. Fonte: Divulgação

Repercussão

A partir do momento em que as pessoas tiveram acesso ao conteúdo, as críticas começaram aparecer em massa.

O post de noveleiro, por exemplo, teve mais de 74 mil impressões no X:

As pessoas, inclusive, usaram o Grok para validar a lista:

Nesse caso, há uma aparente contradição, uma vez que utilizaram um serviço de Inteligência Artificial Generativa para avaliar um erro cometido por outra Inteligência Generativa. Entretanto, os resultados tendem a ser substancialmente melhores quando há um modelo julgando o conteúdo de outro modelo.

Outro tweet diz que a falta de revisão do conteúdo é a maior vilã da empresa:

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Guilherme Ravache, analista em negócios de mídia, também repercutiu o assunto:

O conteúdo foi apenas excluído e a Exame não se manifestou sobre o ocorrido.

Parceria entre Exame e empresa de Samy Dana?

Ao ser entrevistado pelo Podcast Inteligência Ltda., Samy dana revelou ter um contrato com a Exame para serviços de Inteligência Artificial, embora não tenha fornecido maiores detalhes.

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A gente está com o contrato fechado com a Exame, a própria Jovem Pan. A gente tem feito bastante coisa. Fora assim, imobiliário, advocacia, e a Fresh Coats tem grandes varejistas usando isso, porque ela usa pra você prever quanto que vai vender de cada produto pra pedir, pra pedir pra matriz, como se distribui nas lojas, enfim.

Procuradas para confirmar o acordo, as empresas não se manisfestaram.

Conteúdo criado por IA é mais comum do que parece

Recentemente, fizemos um balanço sobre como conteúdo criado por IA tem sido comum até em grandes portais brasileiros.

Entretanto, vale destacar que o período de dúvidas sobre a monetização de portais notícia está intimamente conectado com a produção desenfreada de conteúdos por IA.

Ao utilizar a ferramenta sem critérios, os próprios portais se fragilizam juridicamente, uma vez que lançam mão das mesmas estratégias que, teoricamente, visam combater.

Enquanto questionam o direito legal de empresas terceiras usarem conteúdos protegidos por direitos autorais, vários portais usam das mesmas artimanhas na sua criação de conteúdo.

Aqui, vale dizer que o problema não é utilizar ou não Inteligência Artificial como ferramenta de criação de conteúdo, mas em não estabelecer processos para assegurar a qualidade das informações, bem como a própria veracidade delas.

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Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.

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