- G1 publica conteúdo e, ao final, consta sugestão de IA
- Globo diz que caso está em conformidade com as políticas de IA
- Transparência é o mais importante
Durante o dia desta quinta-feita (28), o g1 protagonizou mais uma polêmica envolvendo o uso de Inteligência Artificial Generativa em redações.
O conteúdo específico continha uma possível continuação de criação de conteúdo generativo no final da matéria. Veja:

No LinkedIn, muitos profissionais comentaram o ocorrido, imaginando, inicialmente, que todo o material teria sido confeccionado por Inteligência Artificial (IA):

Princípios editoriais do grupo Globo são vistos como exemplo
Tanto na postagem acima como em grupos de WhatsApp, vários profissionais comentaram “Se o G1 usa, quem somos nós para não usar“. Nesse sentido, mudanças realizadas tendem a repercutir em todo mercado editorial de forma rápida.
Princípios editoriais do grupo mostram a necessidade de transparência
Parte do documento diz que:
O Grupo Globo se compromete a informar ao público sobre o uso de inteligência artificial em seus conteúdos jornalísticos. A divulgação desta política é parte deste processo. Aqui se informa que os jornalistas do Grupo Globo vão considerar o uso da inteligência artificial nas diversas etapas do processo jornalístico, seja por meio de ferramentas próprias ou de terceiros. Isso indica que, da mais sucinta nota à mais extensa reportagem, a tecnologia poderá ser empregada, em maior ou menor escala, sempre que contribua para que a informação jornalística seja isenta, correta e prestada com rapidez. Em alguns casos, entretanto, será necessário destacar como a inteligência artificial foi empregada em um determinado conteúdo jornalístico. Isso será feito sempre que contribuir para que o público compreenda as circunstâncias em que a reportagem foi produzida.
O que diz a Globo?
Em contato, a comunicação da Globo informou que utiliza inteligência artificial para ajudar a organizar o conteúdo da reportagem, dividir em tópicos e fazer resumos. Nesse caso específico, ressaltou que faltou “revisão mais atenta” quanto as resquícios gerados no processo.
Salientou ainda que a reportagem foi feita com “apuração humana“. Além disso, mostrou que não houve quebra da política de uso do grupo, uma vez que “não houve produção de conteúdo nem apuração de informação pela IA“.
O g1 faz uso de inteligência artificial de diversas formas, e uma delas é para ajudar a organizar o conteúdo de uma reportagem, dividi-la em tópicos, fazer resumos que contribuam para a clareza do texto. Foi o que aconteceu neste caso – o uso da ferramenta para ajudar a organizar o conteúdo de uma reportagem que foi feita com a apuração de jornalistas. O que falhou neste processo foi a falta de uma revisão mais atenta.
A própria divulgação da política do uso de IA pelo grupo Globo já é uma forma de transparência, de informar que usamos a IA nas diversas etapas do processo jornalístico. E, segundo esses princípios editoriais, que estão publicados no g1 e podem ser consultados por qualquer pessoa, informar o público sobre o uso de IA em determinado conteúdo se faz necessário sempre que isso “contribuir para que o público compreenda as circunstâncias em que a reportagem foi produzida”. No caso em questão, não houve produção de conteúdo nem apuração de informação pela IA.
Segue o trecho completo dos princípios editoriais citado aqui (seção III, item 1-c):
“O Grupo Globo se compromete a informar ao público sobre o uso de inteligência artificial em seus conteúdos jornalísticos. A divulgação desta política é parte deste processo. Aqui se informa que os jornalistas do Grupo Globo vão considerar o uso da inteligência artificial nas diversas etapas do processo jornalístico, seja por meio de ferramentas próprias ou de terceiros. Isso indica que, da mais sucinta nota à mais extensa reportagem, a tecnologia poderá ser empregada, em maior ou menor escala, sempre que contribua para que a informação jornalística seja isenta, correta e prestada com rapidez. Em alguns casos, entretanto, será necessário destacar como a inteligência artificial foi empregada em um determinado conteúdo jornalístico. Isso será feito sempre que contribuir para que o público compreenda as circunstâncias em que a reportagem foi produzida.”
Últimos dias têm mostrado falhas em redações
Nos últimos dias, grandes redações têm sido motivo de polêmicas. O portal Terra, por exemplo, ao publicar erroneamente uma notícia sobre a morte de Fernando Veríssimo. Depois, foi a vez de Exame, ao publicar conteúdo com vilãs de novelas que não existem.
Diferentemente dos demais casos, o g1 nos respondeu para mostrar as falhas e, principalmente, reafirmar seus processos e compromisso com a transparência editorial.
Vale ressaltar que o g1 produz conteúdo gerado por IA generativa, como nos casos de sorteios de loteria. Em tais momentos, o próprio conteúdo deixa claro a criação automatizada.
Veja abaixo:

O que o jornalismo pode aprender com os últimos casos?
Em primeiro lugar, é fundamental reconhecer que erros são inerentes ao processo e ocorrerão. Grandes redações não estão imunes a falhas.
Ademais, é crucial estabelecer limites claros sobre o que é e o que não é permitido em nossos conteúdos. Essa transparência, como exemplificado em nossa política editorial, beneficia leitores, anunciantes e profissionais do setor. Até mesmo jornalistas de outras empresas e áreas consultam as diretrizes de grandes veículos para orientar suas próprias decisões editoriais.
Por fim, mais do que definir como utilizar a Inteligência Artificial nos processos jornalísticos, é primordial considerar a experiência do leitor com a notícia e como proporcionar a melhor experiência possível.
Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.
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