Uma nova pesquisa da Pinion para a Alfi, que entrevistou 1.601 brasileiros das classes ABC em todo o país, revela um cenário de leitura muito mais engajado do que se costuma imaginar, contrariando a generalização de que o brasileiro não tem o hábito de ler.
Nesta quarta, recebemos Carol Dantas, idealizadora da pesquisa, para comentar sobre ela:
Mais leitores diários do que se pensa
O estudo aponta a existência de 66 milhões de leitores diários. Esse grupo se declara muito interessado e lê artigos e colunas diariamente.
- 43% da população adulta das classes ABC pesquisada declara ler com alto interesse conteúdos mais longos.
- 52% dos entrevistados leem conteúdos todos os dias.
- No geral, 62% consomem conteúdos mais longos em qualquer formato.

Quem é o leitor diário no Brasil?
O perfil do leitor diário e interessado é majoritariamente mais velho e de classe socioeconômica mais alta.
- Idade: 60% dos leitores diários têm 40 anos ou mais. O percentual de leitores diários é menor entre os mais jovens.
- Classe Social: 69% dos leitores diários são das Classes AB. O estudo considera que o “Brasil que lê” faz parte da economia grisalha e pertence majoritariamente à classe socioeconômica mais alta.
Esses números indicam que a desigualdade no interesse à leitura também pode estar por trás da crise editorial. Quanto menos as pessoas estão propensas a ler, menos visitantes os portais terão e, consequentemente, mais difíceis serão os dias para os portais.

Onde e o que o Brasileiro lê?
As pessoas consomem conteúdo em diversos formatos, com média de 3,1 formatos diferentes. Essa média sobe para 3,7entre leitores mais engajados e assíduos.
| Meio de Leitura | % de Brasileiros (Classes ABC) | % de Leitores Engajados e Assíduos |
| Portais de Notícias | 53% | 67% |
| Links de Redes Sociais | 42% | 51% |
| Artigos Enviados | 33% | 43% |
| Blogs | 21% | 30% |
Vale observar que a classe A consome conteúdos de mais portais, bem como as pessoas mais velhas:

Em relação aos temas, o brasileiro se interessa em média por 6,1 temas distintos. O Top 6 é liderado por:
- Saúde & Bem-Estar (55%)
- Mundo (48%)
- Tecnologia (47%)
- Finanças (45%)
- Música (44%)
- Educação (43%)
Quando o interesse é procurar os temas mais relevantes por gênero, entende-se também que o conteúdo de mais baixa qualidade tenta explorar, justamente, as áreas de interesse, como: saúde e bem-estar, educação, mundo e viagens e turismo.

Insatisfação e o desafio das assinaturas
Apesar da alta taxa de leitura, a satisfação com a experiência de sites, blogs e revistas digitais é baixa: apenas 28% dos leitores estão satisfeitos. O principal incômodo na experiência é a “Presença de muita propaganda”, citada por 32,7% dos leitores.
- A desconfiança também é alta: 85% dos leitores acreditam que a propaganda influencia direta ou indiretamente o conteúdo que consomem.
Mesmo com a experiência ruim, a minoria paga para ler. 86% dos brasileiros das classes ABC não pagam para ler. No entanto, entre os 66 milhões de leitores diários, 12 milhões pagam por assinaturas, o que representa 14%.

A média mensal de gastos com assinaturas digitais de portais, revistas e blogs é de R$ 38. O desafio do setor, segundo o estudo, é que o leitor pode entender que o conteúdo é vasto, mas poucos veículos entregam uma experiência que realmente valha a pena pagar a assinatura.
Experiência de acesso
Além disso, 85% das pessoas disseram que a propaganda influencia de alguma forma no conteúdo lido. Para piorar, quase metade das pessoas leem aquilo que reforçará suas crenças anteriores.

Além do excesso de propagandas, outros pontos relevantes são a dificuldade em encontrar bons conteúdos nos sites e a desconfiança nos próprios meios de comunicação.

O Brasil que lê e não paga para ler
As conclusões do estudo mostra que o brasileiro até lê, principalmente, quando está mais velho e mais rico. Mas todos se esbarram em uma experiência de leitura não tão agradável, bem como na necessidade de pagar por diversos veículos ao mesmo tempo, mesmo quando têm interesse em conteúdos específicos.
Além de questões ligadas à monetização, os portais precisam repensar a experiência de leitura caso queiram continuar vivos. E isso vai muito além de inserir IA ou resumos nos conteúdos. A longo prazo, o efeito pode ser, justamente, o contrário. Quanto mais não é necessário ler um conteúdo, menos necessário ainda é ter uma assinatura.
Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.
- Willian Portohttps://naoeagencia.com.br/author/naoeagencia/
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