- O projeto se baseia em novas regras para o Google, como:
- Exigência de telas de escolha para ajudar os usuários a selecionar e alternar facilmente entre os serviços de pesquisa (incluindo assistentes de IA).
- Garantir um ranking justo e não discriminatório dos resultados de pesquisa.
- Mais controle e transparência para as editoras sobre como seu conteúdo coletado para pesquisa é usado, incluindo em respostas geradas por IA.
- Apoiar a portabilidade de dados para ajudar novas empresas a introduzir produtos inovadores no mercado.
De acordo com a PressGazette, a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) do Reino Unido está se preparando para impor novas regulamentações ao Google, que podem forçar a gigante da tecnologia a operar de forma mais justa com as editoras britânicas, especialmente em relação às suas novas visões gerais de IA (AI Overviews) nos resultados de pesquisa.
A medida, que deve começar em outubro de 2025, visa abordar as crescentes preocupações sobre a dominância do Google no mercado e o impacto em veículos de notícias.
Contexto da Decisão
A CMA anunciou em 24 de junho seus planos para designar o Google como uma plataforma de tecnologia com “status de mercado estratégico” sob a Lei de Mercados Digitais, Concorrência e Consumidores de 2024. Essa designação concederá à CMA o poder de garantir que o Google negocie em “termos justos e razoáveis” com as editoras de notícias.
As preocupações das editoras aumentaram significativamente com a introdução das AI Overviews, que resumem o conteúdo dos artigos diretamente nos resultados de pesquisa. Carly Steven, diretora de SEO do Mail Online, revelou que as taxas de cliques de seus artigos no Google caíram drasticamente quando as AI Overviews substituíram os resultados de pesquisa convencionais. Além disso, as editoras têm reclamado da falta de capacidade de rastrear se um clique veio de uma AI Overview ou de um resultado de pesquisa tradicional.
O Domínio do Google no Mercado Britânico
A análise da Press Gazette mostra que o Google detém uma posição dominante no mercado de publicidade do Reino Unido, com seu mecanismo de busca, YouTube e produtos de tecnologia de anúncios respondendo por cerca de £ 20 bilhões dos estimados £ 42,6 bilhões gastos em publicidade no Reino Unido em 2024. A CMA observa que o Google responde por 90% das consultas de pesquisa na internet no Reino Unido, e mais de 200.000 empresas britânicas dependem da publicidade de pesquisa do Google para alcançar seus clientes.
As preocupações levantadas à CMA incluem:
- Preços não competitivos na publicidade de pesquisa e falta de transparência na criação dos resultados de pesquisa do Google.
- Falta de controle das editoras sobre como seu conteúdo é usado nos resultados de pesquisa do Google e nas respostas geradas por IA.
- Acordos do Google com a Samsung e a Apple, que colocam sua tecnologia em smartphones, travando a concorrência no mercado.
Medidas Prioritárias da CMA
Após a designação do Google, a CMA planeja implementar “medidas prioritárias iniciais” que podem incluir:
- Exigir telas de escolha para ajudar os usuários a selecionar e alternar facilmente entre os serviços de pesquisa (incluindo assistentes de IA).
- Garantir um ranking justo e não discriminatório dos resultados de pesquisa.
- Mais controle e transparência para as editoras sobre como seu conteúdo coletado para pesquisa é usado, incluindo em respostas geradas por IA.
- Apoiar a portabilidade de dados para ajudar novas empresas a introduzir produtos inovadores no mercado.
Na prática, essas medidas significam que os usuários poderão ver prompts ao usar a pesquisa que permitirão escolher entre diferentes mecanismos de busca ou assistentes de IA, em vez de serem direcionados automaticamente para o Google. Além disso, o Google precisará ser mais transparente sobre como organiza e apresenta seus resultados de pesquisa, garantindo que não haja favorecimento injusto de seus próprios produtos ou serviços. Para as editoras, isso pode se traduzir em opções para controlar a exibição de seus artigos em AI Overviews, como a possibilidade de optar por não ter seu conteúdo resumido por IA, ou de ter maior visibilidade e controle sobre os dados de tráfego gerados a partir dessas interações.
A CMA enfatizou que a posição de negociação do Google pode impactar os termos justos e razoáveis para as editoras, incluindo termos de pagamento justos pelo uso de seu conteúdo. A falta de controle sobre como o conteúdo é usado nas Pesquisas do Google (incluindo AI Overviews) também limita a capacidade das editoras de monetizar seu conteúdo.
A CMA também propõe tomar medidas adicionais no primeiro semestre de 2026, que podem incluir abordar preocupações sobre o impacto da posição de negociação do Google nas editoras, seu tratamento de empresas de busca especializadas rivais e preocupações sobre transparência e controle em relação à publicidade de pesquisa. A designação de Status de Mercado Estratégico para o Google se aplica às AI Overviews, mas não ao assistente de IA Gemini do Google.
O Impacto Potencial no Brasil
Embora as decisões da CMA no Reino Unido não tenham uma relação direta com a legislação brasileira, elas podem servir como um precedente importante e inspirar debates e futuras regulamentações no Brasil. O país já está em processo de discussão e elaboração de marcos legais para plataformas digitais e inteligência artificial, como as recentes movimentações do STF para ampliar a responsabilidade das big techs sobre conteúdos de terceiros e a aprovação de um projeto de lei sobre IA pelo Senado, que aguarda votação na Câmara. As ações do Reino Unido podem fortalecer a argumentação a favor de um maior controle sobre o poder de mercado de grandes empresas de tecnologia e a proteção dos direitos de criadores de conteúdo e consumidores no ambiente digital brasileiro, abrindo portas para a adaptação de princípios semelhantes em futuras legislações.
Reações e Próximos Passos
Sarah Cardell, chefe executiva da CMA, afirmou que o Google “desempenhou um papel importante em todas as nossas vidas” e “ofereceu enormes benefícios”, mas sua investigação sugere que há “maneiras de tornar esses mercados mais abertos, competitivos e inovadores”. Ela destacou que as ações propostas darão às empresas e consumidores do Reino Unido “mais escolha e controle” e “desbloquearão maiores oportunidades para a inovação”.
Owen Meredith, chefe executivo da News Media Association, expressou satisfação com a proposta da CMA de designar a pesquisa do Google com status de mercado estratégico e seu reconhecimento das dificuldades enfrentadas pelas editoras em controlar como seu conteúdo é usado em AI Overviews. Ele enfatizou a necessidade de “ação decisiva e robusta da CMA para combater o domínio abusivo das plataformas de tecnologia”.
A expectativa é que a CMA continue trabalhando com reguladores e partes interessadas para implementar totalmente o novo regime de mercados digitais sob a Lei DMCC, buscando desbloquear o potencial total da economia digital do Reino Unido.
Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.
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