Aceitar propostas de divisão do DoJ faria bem ao Google?

Willian Porto
7 Min Read

O Google, uma das maiores potências tecnológicas do mundo, encontra-se atualmente sob intensa pressão. Com perdas significativas em casos antitruste e ameaças crescentes aos seus negócios centrais, a gigante da busca está em um momento crucial. No entanto, em vez de ver as exigências do Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) como um entrave, o Google poderia considerá-las uma oportunidade estratégica para aliviar pressões presentes e futuras e redefinir o valor de seus diversos serviços.

Analistas de mercado, como Gil Luria da D.A. Davidson & Company, argumentam ao NY Times que o Google, em sua forma atual, assemelha-se a um conglomerado. Com uma vasta gama de produtos e serviços – desde o Waymo (carros autônomos) e YouTube até serviços de nuvem e sua onipresente busca e rede de anúncios –, muitas dessas divisões operam com pouca sinergia aparente. Embora a publicidade de busca ainda seja o motor financeiro da empresa, gerando mais da metade de suas receitas, é também a área sob maior escrutínio regulatório e concorrência, especialmente com o avanço da inteligência artificial.

Liberando Valor e Diminuindo Riscos

A proposta de desmembrar o Google pode parecer radical, mas oferece uma série de vantagens. A principal delas é a liberação de valor oculto em suas diversas unidades de negócio. Luria estima que, se fossem entidades independentes, partes como Waymo e YouTube poderiam atingir avaliações trilhonárias, elevando o valor total do Google para algo próximo ao dobro de sua avaliação atual de US$ 2 trilhões. Essa reorganização não só poderia agradar aos acionistas, que buscam “rupturas de grande impacto” em vez de desinvestimentos isolados, mas também mitigaria os riscos regulatórios que atualmente pesam sobre a empresa.

Um desmembramento estrategicamente planejado poderia também estimular uma concorrência mais saudável no mercado. Advogados antitruste, como Barry Barnett, da Susman Godfrey, apontam que a fragmentação do Google poderia beneficiar os consumidores com preços mais baixos para anúncios e abrir novas portas para startups e concorrentes. Essa visão de mercado mais dinâmica é exatamente o que o DoJ busca, o que sugere que uma colaboração proativa poderia ser menos dolorosa do que uma batalha judicial prolongada.

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Uma nova perspectiva para os negócios

Ao permitir que suas unidades operem como empresas separadas, o Google não apenas resolveria problemas antitruste, mas também ofereceria uma visão mais clara e focada para cada serviço. Cada empresa resultante poderia adaptar suas estratégias, investimentos e inovações de forma mais precisa às suas respectivas indústrias, sem a complexidade e as amarras de um conglomerado gigante.

Historicamente, o precedente da AT&T nos anos 80 mostra que um desmembramento voluntário pode levar a um período de maior inovação e concorrência no mercado. Embora o Google argumente que a separação de Chrome e Android “quebraria essas plataformas” e prejudicaria a segurança, uma transição planejada poderia, na verdade, permitir que essas divisões florescessem com maior autonomia e foco, beneficiando tanto os desenvolvedores quanto os usuários.

Apesar da resistência inicial e da complexa estrutura de governança do Google, que exige a aprovação dos fundadores Larry Page e Sergey Brin, a ideia de um desmembramento está ganhando força. Como Adam Kovacevich, CEO da Chamber of Progress (um grupo financiado pelo Google), observa, Page e Brin são conhecidos por “movimentos ousados e não convencionais”. Em um cenário onde as pressões só aumentam, aceitar as propostas do DoJ pode ser a jogada audaciosa que garante a estabilidade e o sucesso de longo prazo para o Google e suas partes constituintes.

Google enfrenta processos em várias partes do mundo

Discussão em todo o mundo

A discussão sobre as práticas do Google em relação ao conteúdo jornalístico e publicidade online não é exclusividade dos Estados Unidos. No Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) está em meio a um julgamento crucial que pode definir o futuro da relação entre a gigante da tecnologia e a mídia nacional. O inquérito administrativo investiga se o Google se apropria indevidamente de material jornalístico sem a devida remuneração aos produtores de conteúdo.

Embora o conselheiro relator, Gustavo Augusto Freitas de Lima, tenha votado pelo arquivamento do caso por não ver infração à ordem econômica — citando um estudo do próprio Cade que aponta que o Google Notícias e o buscador aumentam o tráfego dos veículos de comunicação —, o pedido de vista do conselheiro Diogo Thomson de Andrade suspendeu o julgamento.

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A Associação Nacional de Jornais (ANJ), que solicitou a reabertura do inquérito, defende que o Google firme um acordo de remuneração, argumentando que os resumos exibidos pela plataforma muitas vezes eliminam a necessidade de o público acessar diretamente as páginas dos veículos. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também se posicionou, esperando que o Cade contribua para o aprimoramento da política de defesa da concorrência no Brasil, visando coibir práticas anticoncorrenciais e garantir mercados digitais mais justos.

Enquanto isso, no México, o Google obteve uma vitória significativa. A Comissão Federal de Concorrência Econômica (Cofece) encerrou um caso de vários anos contra a empresa, isentando-a de multas potenciais. A investigação, iniciada em 2020, focou nos serviços de publicidade digital do Google por meio de sua página de pesquisa e de sites de terceiros. Após uma análise detalhada, a Cofece determinou que o Google não se envolveu em práticas monopolistas e que os usuários não eram obrigados a adquirir publicidade em sites de terceiros para comprar anúncios no mecanismo de busca do Google.

A decisão mexicana ressalta a complexidade e as diferentes abordagens regulatórias globais em relação às práticas das grandes empresas de tecnologia, contrastando com o cenário ainda indefinido no Brasil.

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Você acredita que um desmembramento controlado seria a melhor saída para o Google enfrentar os desafios regulatórios e de mercado atuais?

Publisher e Especialista em SEO | Web |  + posts

Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.

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