O Google, uma das maiores potências tecnológicas do mundo, encontra-se atualmente sob intensa pressão. Com perdas significativas em casos antitruste e ameaças crescentes aos seus negócios centrais, a gigante da busca está em um momento crucial. No entanto, em vez de ver as exigências do Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) como um entrave, o Google poderia considerá-las uma oportunidade estratégica para aliviar pressões presentes e futuras e redefinir o valor de seus diversos serviços.
Analistas de mercado, como Gil Luria da D.A. Davidson & Company, argumentam ao NY Times que o Google, em sua forma atual, assemelha-se a um conglomerado. Com uma vasta gama de produtos e serviços – desde o Waymo (carros autônomos) e YouTube até serviços de nuvem e sua onipresente busca e rede de anúncios –, muitas dessas divisões operam com pouca sinergia aparente. Embora a publicidade de busca ainda seja o motor financeiro da empresa, gerando mais da metade de suas receitas, é também a área sob maior escrutínio regulatório e concorrência, especialmente com o avanço da inteligência artificial.
Liberando Valor e Diminuindo Riscos
A proposta de desmembrar o Google pode parecer radical, mas oferece uma série de vantagens. A principal delas é a liberação de valor oculto em suas diversas unidades de negócio. Luria estima que, se fossem entidades independentes, partes como Waymo e YouTube poderiam atingir avaliações trilhonárias, elevando o valor total do Google para algo próximo ao dobro de sua avaliação atual de US$ 2 trilhões. Essa reorganização não só poderia agradar aos acionistas, que buscam “rupturas de grande impacto” em vez de desinvestimentos isolados, mas também mitigaria os riscos regulatórios que atualmente pesam sobre a empresa.
Um desmembramento estrategicamente planejado poderia também estimular uma concorrência mais saudável no mercado. Advogados antitruste, como Barry Barnett, da Susman Godfrey, apontam que a fragmentação do Google poderia beneficiar os consumidores com preços mais baixos para anúncios e abrir novas portas para startups e concorrentes. Essa visão de mercado mais dinâmica é exatamente o que o DoJ busca, o que sugere que uma colaboração proativa poderia ser menos dolorosa do que uma batalha judicial prolongada.
Uma nova perspectiva para os negócios
Ao permitir que suas unidades operem como empresas separadas, o Google não apenas resolveria problemas antitruste, mas também ofereceria uma visão mais clara e focada para cada serviço. Cada empresa resultante poderia adaptar suas estratégias, investimentos e inovações de forma mais precisa às suas respectivas indústrias, sem a complexidade e as amarras de um conglomerado gigante.
Historicamente, o precedente da AT&T nos anos 80 mostra que um desmembramento voluntário pode levar a um período de maior inovação e concorrência no mercado. Embora o Google argumente que a separação de Chrome e Android “quebraria essas plataformas” e prejudicaria a segurança, uma transição planejada poderia, na verdade, permitir que essas divisões florescessem com maior autonomia e foco, beneficiando tanto os desenvolvedores quanto os usuários.
Apesar da resistência inicial e da complexa estrutura de governança do Google, que exige a aprovação dos fundadores Larry Page e Sergey Brin, a ideia de um desmembramento está ganhando força. Como Adam Kovacevich, CEO da Chamber of Progress (um grupo financiado pelo Google), observa, Page e Brin são conhecidos por “movimentos ousados e não convencionais”. Em um cenário onde as pressões só aumentam, aceitar as propostas do DoJ pode ser a jogada audaciosa que garante a estabilidade e o sucesso de longo prazo para o Google e suas partes constituintes.

Discussão em todo o mundo
A discussão sobre as práticas do Google em relação ao conteúdo jornalístico e publicidade online não é exclusividade dos Estados Unidos. No Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) está em meio a um julgamento crucial que pode definir o futuro da relação entre a gigante da tecnologia e a mídia nacional. O inquérito administrativo investiga se o Google se apropria indevidamente de material jornalístico sem a devida remuneração aos produtores de conteúdo.
Embora o conselheiro relator, Gustavo Augusto Freitas de Lima, tenha votado pelo arquivamento do caso por não ver infração à ordem econômica — citando um estudo do próprio Cade que aponta que o Google Notícias e o buscador aumentam o tráfego dos veículos de comunicação —, o pedido de vista do conselheiro Diogo Thomson de Andrade suspendeu o julgamento.
A Associação Nacional de Jornais (ANJ), que solicitou a reabertura do inquérito, defende que o Google firme um acordo de remuneração, argumentando que os resumos exibidos pela plataforma muitas vezes eliminam a necessidade de o público acessar diretamente as páginas dos veículos. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também se posicionou, esperando que o Cade contribua para o aprimoramento da política de defesa da concorrência no Brasil, visando coibir práticas anticoncorrenciais e garantir mercados digitais mais justos.
Enquanto isso, no México, o Google obteve uma vitória significativa. A Comissão Federal de Concorrência Econômica (Cofece) encerrou um caso de vários anos contra a empresa, isentando-a de multas potenciais. A investigação, iniciada em 2020, focou nos serviços de publicidade digital do Google por meio de sua página de pesquisa e de sites de terceiros. Após uma análise detalhada, a Cofece determinou que o Google não se envolveu em práticas monopolistas e que os usuários não eram obrigados a adquirir publicidade em sites de terceiros para comprar anúncios no mecanismo de busca do Google.
A decisão mexicana ressalta a complexidade e as diferentes abordagens regulatórias globais em relação às práticas das grandes empresas de tecnologia, contrastando com o cenário ainda indefinido no Brasil.
Você acredita que um desmembramento controlado seria a melhor saída para o Google enfrentar os desafios regulatórios e de mercado atuais?
Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.
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