- CNN foi a mais recomendada em quase todos os dias no Youtube
- Os melhores canais são os que têm parcerias com o Google News Initiative
- Parceria mostra possível conflito de interesse
- Resultados também são vistos na Pesquisa
Imagine uma empresa que ganha bilhões de reais com um mecanismo de classificação de páginas e vídeos na Internet.
- Início do problema
- A pesquisa
- Os resultados: favorecimento à CNN Brasil?
- Privilégio no ranqueamento: o primeiro lugar é da CNN
- A hierarquia das recomendações: desigualdade
- O “Jabá Digital” e a Concorrência Desleal
- A Relação com a Google News Initiative (GNI) e o Lobby
- Na melhor das hipóteses, conflito de interesses
- Uma parceria polêmica
- Desempenho da CNN no Youtube
- Os resultados vistos no Youtube não são distintos da Pesquisa
- As consequências para a democracia e o jornalismo
- A necessidade de transparência e regulação
- Procurado, o Google não quis comentar
Ao mesmo tempo, essa empresa possui departamentos dedicados ao desenvolvimento de projetos para portais específicos. Essa situação é frequentemente vista pelos portais como problemática, devido aos potenciais conflitos de interesse..
Começamos, hoje, uma série de reportagens sobre a relação do Google com os publisheres, principalmente com sua área dedicada, o Google News Initiative.
Início do problema
No ecossistema digital contemporâneo, a informação é a moeda mais valiosa. Mas tão importante quanto a informação em si, é a forma como ela é distribuída e consumida. A grande maioria dos usuários da internet não busca ativamente por notícias; ela as recebe por meio de recomendações de algoritmos de plataformas como o Google e o YouTube. Esses sistemas, tidos como neutros e objetivos, são, na realidade, a nova vanguarda editorial, definindo quais conteúdos terão visibilidade, alcance e engajamento.
Isso leva a muitos publishers e canais (no caso do Youtube) a tratarem o aumento de audiência apenas no plano de otimizações. Isto é, o que podemos fazer em nossos portais e vídeos para convencer os algoritmos a aumentar a indicação de nossos conteúdos?
Entretanto, é possível que existam várias outras variáveis em jogo.
A pesquisa
Essa é a premissa central de um estudo inovador do NetLab (Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que revela um padrão de favorecimento desproporcional do YouTube (pertencente ao Google) em relação ao canal de notícias CNN Brasil.
A pesquisa, realizada entre julho e agosto de 2025, analisou cerca de 600 mil recomendações de vídeos em 38 dias, fazendo uma aquisição de dados a cada 15 minutos na seção “Principais Notícias” do YouTube. Os resultados são alarmantes: a CNN Brasil foi o canal mais recomendado em 37 dos 38 dias analisados e esteve presente em 100% das aquisições de dados. Mais do que uma simples preferência, o estudo aponta para um viés sistêmico que levanta sérias questões sobre concorrência, transparência e o futuro da imprensa no Brasil.
A metodologia da Pesquisa do NetLab
Para auditar as recomendações, a equipe do NetLab desenvolveu um script de computador para acessar automaticamente a seção “Principais Notícias” do YouTube a cada 15 minutos, registrando os vídeos recomendados. A coleta de dados foi feita de forma neutra, sem qualquer interação com a plataforma, sem histórico de visualização e sem estar logado em uma conta Google. A localização do usuário foi configurada como “Brasil” em todas as aquisições, baseando-se na própria documentação do YouTube que afirma que as recomendações nessa seção não são personalizadas e são as mesmas para todos os usuários em um determinado país.
Em cada aquisição, o script registrou em média 168 vídeos, totalizando 597.008 recomendações coletadas e 33.731 vídeos únicos recomendados, de 153 canais distintos. Essa metodologia rigorosa, que não simulou diferentes usuários por conta da premissa de não-personalização da seção “Principais Notícias”, permitiu a identificação de padrões de recomendação que seriam imperceptíveis para um observador humano. A escala da coleta de dados, ao longo de 38 dias, garantiu uma análise aprofundada e estatisticamente significativa do comportamento do algoritmo.
Os resultados: favorecimento à CNN Brasil?

Os dados coletados pelo NetLab foram conclusivos e apontaram para um favorecimento claro e massivo da CNN Brasil. Os resultados são chocantes:
Dominância absoluta: 100% de Presença
A CNN Brasil foi recomendada em 100% das 3.551 aquisições de dados realizadas. Isso significa que, a cada 15 minutos, por 38 dias seguidos, pelo menos um vídeo da CNN Brasil aparecia na seção “Principais Notícias“. Essa presença constante não se repetiu em nenhum outro canal, independentemente de sua relevância ou volume de produção.

Liderança Diária: O Canal Mais Recomendado
Em 37 dos 38 dias de coleta (97,4%), a CNN Brasil foi o canal com o maior número de recomendações diárias. Em média, foram 1.452 recomendações por dia para o canal, considerando os vídeos repetidos. Para se ter uma ideia da dimensão desse número, o segundo canal mais recomendado teve, em média, apenas 20% do volume de recomendações da CNN Brasil.

Privilégio no ranqueamento: o primeiro lugar é da CNN
A posição de um vídeo na lista de recomendações é crucial para a sua visibilidade e, consequentemente, para o seu volume de cliques e visualizações. O estudo revelou que a CNN Brasil foi o primeiro vídeo recomendado em 16,7% das aquisições, uma frequência significativamente superior a qualquer outro canal. Os outros canais, por outro lado, ficaram com uma frequência de ranqueamento abaixo dos 10%. Isso mostra que o algoritmo não apenas recomenda a CNN Brasil com mais frequência, mas também a coloca em uma posição privilegiada.
A hierarquia das recomendações: desigualdade
O relatório mostra que, embora 153 canais tenham sido recomendados no período de 38 dias, apenas uma pequena parcela concentrou a maioria das recomendações. Os 10 canais mais recomendados corresponderam a 54% de todas as sugestões. Dentro desse grupo, o favoritismo é ainda mais evidente. Veja os dados do relatório que mostram o total de recomendações por canal:
- CNN Brasil: 55.203 recomendações
- Jovem Pan News: 41.843 recomendações
- UOL: 36.002 recomendações
- Band Jornalismo: 33.319 recomendações
- Metrópoles: 31.837 recomendações
- O POVO: 29.450 recomendações
- SBT News: 28.121 recomendações
- g1: 23.605 recomendações
- Jornal da Record: 22.195 recomendações
- Itatiaia: 21.819 recomendações

Além da alta concentração, o estudo ressalta que 9 dos 10 canais mais recomendados na seção “Principais Notícias” estão ligados à Google News Initiative, programa de apoio ao jornalismo da gigante de tecnologia.
Esses números demonstram que o YouTube não está agindo como uma plataforma neutra, mas sim como um editor que escolhe quais vozes de notícias serão amplificadas. A recomendação recorrente da CNN Brasil, em detrimento de outros veículos, influencia a navegação dos usuários e, consequentemente, impacta diretamente as métricas de performance e a audiência do canal.
O “Jabá Digital” e a Concorrência Desleal
A prática de payola, ou “jabá”, é antiga no mercado da música e refere-se ao pagamento oculto para que uma rádio ou emissora toque determinada música. No jornalismo, essa prática também existe, com o pagamento para dar visibilidade a certas notícias, borrando a linha entre conteúdo editorial e publicidade. O relatório do NetLab levanta a hipótese de que o favorecimento do YouTube à CNN Brasil pode ser um novo modelo de “payola digital”, que o estudo chama de “playola”.
A opacidade dos critérios de recomendação do YouTube cria um ambiente propício para a concorrência desleal. Os veículos de notícias que não são beneficiados pelos algoritmos correm o risco de se tornarem invisíveis, o que compromete a sua sustentabilidade financeira e a sua capacidade de atingir o público. A falta de transparência sobre os critérios de “confiabilidade” e “qualidade” que supostamente guiam o algoritmo de notícias do YouTube é um problema grave. Se a plataforma não revela quem e por que está sendo favorecido, como os outros veículos podem competir de forma justa? Como o público pode confiar que está recebendo uma seleção de notícias diversificada e imparcial?
A Relação com a Google News Initiative (GNI) e o Lobby
O estudo do NetLab faz uma ligação direta entre o favorecimento da CNN Brasil e o fato de o canal ser um dos 10 mais recomendados que participam da Google News Initiative (GNI). A GNI é apresentada pelo Google como uma iniciativa para apoiar o jornalismo globalmente, oferecendo treinamentos, recursos técnicos e financeiros. No entanto, o estudo sugere que, na prática, a GNI funciona como uma ferramenta estratégica de influência. Ela não apenas cria uma dependência financeira e tecnológica dos veículos em relação à big tech, mas também serve como uma “isenção” para a empresa, dando a impressão de que ela apoia a imprensa enquanto, nos bastidores, atua para consolidar seu próprio poder.

Essa relação se torna ainda mais complexa quando a coluna de Guilherme Ravache no Valor Econômico, explora as razões por trás do aparente favoritismo do Google pela CNN Brasil. A coluna aponta para a proximidade de lideranças da CNN, como o ex-chairman João Camargo, com o Google e com o poder político em Brasília. Ravache menciona um contrato entre a CNN e o Google, que João Camargo descreveu como “fundamental” para levar o canal ao lucro. Ele também destaca a relação pessoal entre Camargo e o presidente do Google no Brasil, Fábio Coelho, que é um dos convidados frequentes em eventos da Esfera Brasil, uma empresa de lobby de Camargo que tem o Google como cliente.
A reportagem de Ravache sugere que o crescimento impressionante da CNN Brasil no ambiente digital nos últimos anos, enquanto a maioria dos outros grandes portais de notícias experimentava uma queda de tráfego, pode ser explicado não apenas por méritos jornalísticos ou estratégias de negócios, mas também pela proximidade com o Google. A falta de transparência sobre os critérios que o Google usa para privilegiar determinados canais e a atuação de lobby da empresa em Brasília levantam sérias suspeitas sobre a imparcialidade de seus algoritmos e o seu papel no ecossistema de notícias brasileiro.
Na melhor das hipóteses, conflito de interesses
Inicialmente, caso pensemos na melhor das hipóteses, que o Google está apenas ajudando portais específicos com tecnologias e técnicas, há conflito de interesse.
Observe o caso mostrado pelo próprio Google:

De acordo com o case, o portal chama de parceria estratégica a relação entre Google e Itatiaia (que faz parte do conglomerado da CNN). Após tal parceria, segundo ambos, houve acréscimo de 150% nas visualizações de páginas.
Os resultados consolidados foram:

Nesse sentido, mesmo que não exista uma manipulação ativa nas recomendações, há conflito de interesse no momento em que o Google auxilia ativamente alguns daqueles que recomendará mais tarde. Ou seja, tais portais já contam com vantagem competitiva antes da bola rolar.
De acordo com o próprio Google,
Os treinamentos têm sido realizados em parceria com veículos de perfis variados — de grandes grupos de mídia a redações locais e nativas digitais — e conduzidos por especialistas do Google. Os encontros apresentam exemplos práticos, adaptados à realidade de quem lida com prazos apertados e precisa ser preciso e eficiente. Até agora, dezenas de redações participaram, e seguimos expandindo essa rede, contribuindo com a transição tecnológica do setor e fortalecendo o ecossistema de notícias no país.
Entre os veículos participantes estão Gazeta do Povo, RBS, Diários Associados, Correio da Bahia, Jornal do Commercio, ND+, O Povo, Diário do Nordeste, Portal Norte, UOL, Folha, Exame, Poder360, RedeTV, Jovem Pan e SBT — somando mais de 1.500 profissionais treinados em diferentes áreas.
Observe que a Big Tech relata que dezenas de redações participaram de tal treinamento. Como é possível avaliar a competição entre os portais como justas quando algumas delas tiveram treinamento com a equipe da empresa que avalia os sites e as demais não?
Além disso, no Congresso da Abraji, Eurípedes Alcântara do Estadão, por exemplo, mencionou que o Google, diferentemente dos demais, tem relacionamento ativo com a empresa. Segundo ele, a equipe do Google consegue explicar o que acontece em uma atualização, mesmo sem abrir a caixa-preta.
Ou seja, tais sites têm, de forma tácita vantagens em relação a concorrência, uma vez que eles têm informações privilegiadas da própria equipe do Google.
Uma parceria polêmica
Em fevereiro de 2024, a própria CNN anunciou uma parceria com o Google:

De acordo com a matéria:
Como parte do acordo, a Iniciativa Google Notícias (GNI – Google News Initiative) oferece à CNN Brasil recursos para o desenvolvimento digital da redação e a realização de projetos especiais ao longo do ano.
Isso significa que o GNI proporciona (ou proporcionou) recursos para que a redação tivesse melhor maturidade digital e pudesse participar de projetos diferenciados.
O executivo da CNN Sérgio Maria, “O processo de apuração dos fatos e da construção da notícia é sempre da redação, dos jornalistas, mas a tecnologia vem como um catalisador para aprimorar esse processo, trazer mais velocidade e agilidade na produção de conteúdo“.
Observe como o executivo foca na tecnologia como diferencial competitivo.
Desempenho da CNN no Youtube
De acordo com o portal Notícias da TV, a CNN conseguiu quase 1 bilhão de views em 2024, alcançando 17 milhões de pessoas por mês.

De acordo com Vidiq , podemos observar um crescimento ainda maior em 2025:

Os resultados vistos no Youtube não são distintos da Pesquisa
Se os resultados do Youtube privilegiam as empresas participantes do GNI, o mesmo pode ser dito na Pesquisa. Os conteúdos recomendados para tópicos em que as pessoas têm interesse também são desiguais.
De acordo com os dados de Newzdash, em agosto, os portais mais recomendados em Principais Notícias na pesquisa foram:
| Rank | Website |
| 1 | globo.com |
| 2 | uol.com.br |
| 3 | cnnbrasil.com.br |
| 4 | terra.com.br |
| 6 | metropoles.com |
| 7 | abril.com.br |
| 8 | lance.com.br |
| 9 | mixvale.com.br |
| 10 | estadao.com.br |
As consequências para a democracia e o jornalismo
A questão do favorecimento algorítmico vai muito além de uma simples disputa comercial entre empresas de mídia. Ela tem implicações profundas para a democracia e para o jornalismo.
- Impacto na audiência e na monetização: O estudo do NetLab mostra que mais de 70% do conteúdo consumido no YouTube é acessado por meio de recomendações. Isso significa que, se um canal é sistematicamente favorecido, ele ganha uma vantagem imensa em audiência e, consequentemente, em monetização. O modelo de negócios da maioria dos veículos de notícias depende de audiência para gerar receita publicitária. Ao controlar a visibilidade, o YouTube controla a sustentabilidade financeira dos canais.
- Risco à pluralidade e à diversidade: Uma democracia saudável depende de uma imprensa livre e diversificada, onde múltiplas vozes e perspectivas podem ser ouvidas. Quando uma única plataforma, como o YouTube, concentra o poder de curadoria e favorece determinados veículos, ela cria um ambiente que tende a oferecer menos diversidade e pluralidade. Isso prejudica a capacidade do público de se expor a diferentes pontos de vista e de formar opiniões bem fundamentadas.
- Criação de um ecossistema viciado: A falta de transparência do Google e do YouTube sobre os seus algoritmos cria um “jogo” viciado para os veículos de notícia. Eles se veem obrigados a se adaptar às lógicas e métricas da plataforma para sobreviver, o que pode comprometer a independência jornalística e levar a uma homogeneização do conteúdo. O jornalismo de qualidade, que muitas vezes é aprofundado e de nicho, pode ser penalizado em detrimento de conteúdos mais superficiais e sensacionalistas que se encaixam melhor nas lógicas de engajamento do algoritmo.
- Ameaça à liberdade de expressão: Ao favorecer alguns e relegar outros à invisibilidade, o YouTube restringe a liberdade de escolha do consumidor e, em última instância, ameaça a liberdade de expressão. O poder de “esconder” conteúdos, como identificado por um estudo britânico citado pelo NetLab, é um risco real para a saúde do debate público.
A necessidade de transparência e regulação
O relatório do NetLab e a análise de Guilherme Ravache levantam uma questão urgente: as big techs devem ser vistas como plataformas neutras ou como atores editoriais? A resposta, cada vez mais, aponta para a segunda opção. E se elas são, de fato, atores editoriais, elas precisam ser transparentes e responsáveis.
Atualmente, o Google se esconde atrás da opacidade de seus algoritmos, alegando que eles são baseados em critérios puramente técnicos. No entanto, os dados do NetLab e as evidências de lobby reveladas por Ravache contam uma história diferente. A empresa precisa ser responsabilizada por suas ações e ser obrigada a revelar os critérios que utiliza para curar notícias. A falta de transparência impede a auditoria externa, o que torna a sua “audiência” uma informação autodeclarada e inauditável. Isso é inaceitável em um mercado que busca por concorrência justa.
A regulação, um tema que o Google e a Meta têm combatido agressivamente com ações de lobby, torna-se cada vez mais necessária. A liberdade de expressão não pode depender da “boa vontade” de corporações privadas que operam sem supervisão e com interesses financeiros ocultos. A sociedade, os veículos de imprensa e os legisladores precisam se unir para exigir mais transparência e regras claras para o mercado digital. A sobrevivência do jornalismo independente e a saúde da democracia dependem disso.
Procurado, o Google não quis comentar
Em contato, fizemos as seguintes perguntas para o Google:
1) Como o Google vê a acusação antiga de conflito de interesse quando há parcerias de portais de notícias e o Google? Seja com treinamento, seja com projetos como o Google News Showcase, não é uma quebra quando a empresa que classifica e leva tráfego tem relações particulares em diversos níveis com apenas alguns dos veículos?
2) Os próprios portais parceiros dizem, de alguma forma, receber algum tipo de informação do Google, como o Estadão no Congresso da Abraji em julho, quando disse que “por mais que não abram a caixa-preta, eles tentam dizer o que mudou no algoritmo”.
3) Os processos para participação nos projetos do GNI não são claras nem transparentes. Alguns portais não fazem nem ideia sobre como entrar em contato com a equipe, enquanto outros tem contatos com nome e telefone. Como o Google pensa trabalhar nisso? Vocês pensam que isso é certo?
Como resposta, a empresa disse que não comentaria o assunto.
Nos próximos dias, continuaremos a cobrir a relação nada transparente do Google News Initiative em todo o mundo.
Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.
- Willian Portohttps://naoeagencia.com.br/author/naoeagencia/
- Willian Portohttps://naoeagencia.com.br/author/naoeagencia/
- Willian Portohttps://naoeagencia.com.br/author/naoeagencia/
- Willian Portohttps://naoeagencia.com.br/author/naoeagencia/

