Em uma entrevista recente, Nick Fox, Vice-Presidente Sênior de Conhecimento e Informação do Google, abordou uma das questões mais urgentes no mundo da tecnologia e publicação: como a inteligência artificial está remodelando a busca e qual o seu impacto no ecossistema da web.
A conversa focou em como a nova experiência de busca com IA, incluindo os “AI Overviews”, determina a autoridade e a relevância das fontes, uma preocupação central para criadores de conteúdo e publicadores.
Por outro lado, os profissionais de SEO desafiaram a ideia de Fox. Confira!
A base da IA: a profunda compreensão da web
O entrevistador inicia a conversa (00:13) questionando como a tradicional noção de “autoridade” de um site, que sempre foi a base do ranking do Google, é agora determinada na nova “experiência de modo IA”.
Nick Fox explica que a força das novas ferramentas de IA do Google reside precisamente na fundação que a empresa construiu ao longo de mais de duas décadas. Ele enfatiza que a expertise da empresa em analisar e organizar a web é o principal pilar que sustenta a confiabilidade de seus modelos de IA.
(00:38) “Uma das razões pelas quais somos capazes de fazer um trabalho tão bom com os AI Overviews, bem como com o AI Mode, é que entendemos a web incrivelmente bem. […] Isso é o arroz com feijão do Google.”
Fox detalha (1:05) que esse entendimento vai além do simples ranking. Envolve a análise da qualidade, relevância e autoridade de um site em relação à pesquisa do usuário. Esse conhecimento, combinado com o vasto “Knowledge Graph” (o banco de dados de fatos, lugares e produtos do Google), serve como uma “entrada central” para os modelos de IA, garantindo que as respostas geradas sejam enraizadas em informações factuais e confiáveis.
O futuro dos publicadores e o “fim da web”
O entrevistador levanta a preocupação dos publicadores (1:51), que temem que os AI Overviews, ao fornecerem respostas diretas, possam reduzir drasticamente o tráfego para seus sites.
Fox se posiciona como um otimista em relação ao futuro da web, refutando a ideia de que a IA levará ao seu declínio. Ele afirma o compromisso do Google com a saúde do ecossistema online.
(2:31) “Eu sou um otimista da web. Eu amo a web. […] O Google, obviamente, ama a web também, e nós nos preocupamos profundamente com a web. Provavelmente não há empresa que se preocupe mais com a saúde e o futuro da web do que o Google.”
Ele também questiona a metodologia de estudos que apontam para uma queda no tráfego, afirmando (2:48) que muitos desses estudos são falhos, às vezes usando dados de antes mesmo do lançamento dos AI Overviews ou não considerando outros fatores que podem influenciar o tráfego de um site.
Isso colide com as informações que os próprios Publishers mostram, bem como a própria tentativa de Splitt em relatar o movimento que tem sido visto por editores em todo mundo, chamado de Grande Desacoplamento.
Fox não relatou se há um problema, então, presente no Search Console ou mesmo no Google Analytics dos sites, que não são capazes de ver nenhum acréscimo com AI Overviews.
Dados mostram um ecossistema em crescimento
Para reforçar seu otimismo, Nick Fox apresenta dados internos que indicam que a web não está encolhendo, mas sim crescendo a um ritmo acelerado.
Ele revela (3:32) que, nos últimos dois anos, o número de páginas novas e únicas que os rastreadores do Google encontraram aumentou 45%. Fox também menciona que as visitas gerais à web estão aumentando, o que contradiz a narrativa de que a IA está canibalizando o tráfego.
Um momento de expansão, não de substituição
A visão final de Fox, em contraste com as críticas, é que a inteligência artificial não deve ser vista como uma substituta para a web, mas como uma ferramenta que ampliará suas possibilidades. Ele argumenta que a IA criará novas formas de interação e busca de informação, o que, por sua vez, incentivará a criação de mais conteúdo.
(5:08) “Nossa visão é que este será um momento imensamente expansionário. Será um momento imensamente expansionário para a web, será um momento imensamente expansionário para os usuários em termos dos tipos de coisas que eles podem fazer.”
Ele conclui (5:20) lembrando que, historicamente, cada salto tecnológico na internet resultou em uma “explosão de conteúdo”. Para o Google, o desafio e a missão continuam os mesmos: organizar essa vastidão de informações para que sejam úteis e acessíveis, garantindo que a web continue a prosperar.
John Mueller também relatou que a Web está em florescimento.

Ele disse: “Além disso, adoro ver tantos nomes e rostos novos que estão ativamente tentando descobrir essas coisas. E, claro, todos os SEOs experientes também. Encontrar um equilíbrio é difícil, há muito hype, mas ver tanta gente tentando tornar os sites mais visíveis com IA deixa claro que a web está prosperando.“
Críticas da comunidade: uma outra perspectiva
Apesar do otimismo de Fox, a visão dos profissionais e publicadores é marcadamente mais cética. Muitos questionam a narrativa do Google e apontam para suas próprias experiências, relatando que a visão de Fox e parecida com a de Pichai.
O usuário Jacek Rużyczka critica a própria definição de “web” usada pelo executivo:
“O que é ‘a Web’, que está prosperando? Google? Reddit? TikTok? eBay? […] Esse cara está apenas dizendo a ‘verdade’ que seus chefes criaram.”
Outros, como o usuário Uncle Crusty, acusam o Google de ofuscar a realidade com base em seus próprios dados de tráfego:
“Nick Fox é um homem sim que segue a linha corporativa e continua a espalhar desinformação. […] Nossas próprias estatísticas de tráfego mostram o mesmo, já que nossas páginas de informações sofreram uma perda devastadora de tráfego. As vendas do Google também foram dizimadas, pois nossas páginas de informações são projetadas para educar os consumidores sobre os padrões de segurança atuais e por que esses consumidores devem evitar os produtos inseguros que a China está despejando nos EUA — que o Google promove fortemente em seus anúncios.”
Já John A. aponta uma falha na lógica de Fox sobre o comportamento do usuário. Embora concorde que um artigo completo seja mais valioso, ele argumenta que a IA fornecerá o suficiente para a maioria:
“O número de parágrafos que são montados para fazer um documento inteiro será suficiente para a maioria das pessoas preguiçosas, e a maioria dos usuários da Internet são preguiçosos.”
Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.
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