Microsoft pode lançar novo mercado para pagar pelo uso de informações de IAs em portais

Willian Porto
5 Min Read

Microsoft está inclinada a pagar pelo uso de informações para sistemas de IA; mecanismos justos para todo ecossistema precisam ser criados.

A Microsoft está na vanguarda de uma iniciativa para criar um novo modelo de negócios na era da Inteligência Artificial.

De acordo com Axios, a empresa está em negociações com editores selecionados nos Estados Unidos para lançar um programa piloto, chamado de Publisher Content Marketplace (PCM). O objetivo é estabelecer um mercado de duas vias que compense os editores pelo uso de seu conteúdo em produtos de IA, começando com o assistente Copilot.

Por que isso é importante?

Se for bem-sucedido, o PCM faria da Microsoft a primeira grande empresa de tecnologia a construir um mercado de IA para editores, um marco crucial na criação de um modelo de negócios sustentável para empresas de conteúdo.

Esse movimento contrasta com a abordagem atual da maioria das empresas de IA, que se concentram em acordos de licenciamento pré-pagos, e não em uma compensação por uso.

- Assine nossa Newsletter -

Entretanto, até o momento, as poucas informações veiculadas não nos permitem fazer uma análise mais aprofundada. Por exemplo, o pagamento mais eficaz é o que identifica quais são as fontes da informação, mais do que de qual portal aquela informação foi retirada.

Além disso, vale ressaltar, que o modelo de apoio a notícias da Microsoft (Microsoft Pubhub) é ainda menos transparente que o Google News, contendo ainda menos informações.

Nesse cenário, o novo programa deverá ser mais transparente para conseguir ajudar o jornalismo como um todo.

Detalhes da iniciativa

Os principais pontos revelados até agora são:

  • O programa piloto será lançado com um número limitado de editores.
  • A Microsoft planeja expandir o piloto ao longo do tempo, trabalhando com os parceiros para desenvolver ferramentas, políticas e modelos de precificação eficazes.
  • O Copilot será o primeiro “comprador” de IA dentro deste mercado. A Microsoft espera, eventualmente, incluir outros produtos de IA.
  • A iniciativa foi discutida no Partner Summit da Microsoft em Mônaco, onde a empresa defendeu que os criadores de conteúdo “merecem ser pagos pela qualidade de sua propriedade intelectual”.
  • A data exata de lançamento do piloto ainda não foi divulgada.

A dificuldade de escalar

A indústria de mídia anseia por uma solução de mercado como essa. Startups menores como ProRata.ai e TollBit já tentaram construir modelos de mercado, mas carecem do inventário e da escala para compensar os editores de forma significativa. A participação de uma empresa como a Microsoft, com sua vasta base de usuários e clientes corporativos, é fundamental para o funcionamento de um mercado de duas vias.

- Assine nossa Newsletter -

A abordagem da Microsoft se destaca em comparação com outros gigantes da tecnologia:

  • Google: A maior empresa de busca do mundo demonstrou pouco interesse em mercados de IA e tem fechado pouquíssimos acordos de licenciamento.
  • Meta: Recentemente, a Meta tem intensificado as negociações sobre acordos de IA com parceiros de publicação.
  • OpenAI: Até agora, a OpenAI, na qual a Microsoft é a maior investidora minoritária, tem liderado os acordos de IA com editores. No entanto, a Microsoft também enfrentou desafios legais por violação de direitos autorais em ações movidas por editores como o New York Times.

Embora o tráfego do Copilot para consumidores seja menor em comparação com o ChatGPT, a força da Microsoft reside em sua enorme base de clientes corporativos que utilizam o Microsoft 365 e o Azure. O sucesso do PCM poderia levar a Microsoft a aprofundar seu relacionamento com os editores e, potencialmente, influenciar o Google a seguir o mesmo caminho.

A dificuldade em lidar com o ecossistema

Por mais que seja importante e necessário recompensar os produtores de conteúdo, deve-se evitar a euforia quando alguns poucos portais conseguirem recursos com Big Techs. Ao contrário, o cenário só será favorável quando todo o ecossistema de jornalismo for contemplado nas iniciativas. Beneficiar os principais veículos apenas aumentará a desigualdade entre a cobertura independente ou de pequena escala e os maiores portais.

- Assine nossa Newsletter -
Publisher e Especialista em SEO | Web |  + posts

Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.

TAGGED:
Compartilhe este artigo