Diversas buscas realizadas no Google indicam um problema recorrente e sensível para a indústria editorial e audiovisual: a exposição de livros e filmes piratas diretamente na Busca, inclusive em áreas de alto destaque, como o Painel do Conhecimento.
Testes recentes mostram que pesquisas relacionadas a Harry Potter — tanto pelos livros quanto pelos filmes — retornam links que direcionam o usuário a versões não oficiais, gratuitas e potencialmente ilegais das obras.
Onde o problema aparece
O ponto mais crítico não está apenas nos resultados orgânicos tradicionais, mas sim em espaços considerados “confiáveis” pelo próprio Google:
- Painel do Conhecimento, que aparece à direita da SERP no desktop ou mesmo no centro, como foi o caso das principais consultas.
- Blocos ao lado de “onde assistir” ou “ler online”
- Sugestões automáticas e resultados enriquecidos
Em alguns casos, o usuário encontra links para PDFs completos de livros, arquivos de vídeo ou plataformas que distribuem o conteúdo sem autorização dos detentores de direitos.

O problema pode ser reproduzido em vários dos filmes/livros ao buscar pelo título:

O mesmo ocorre com buscas para “Câmara Secreta”.

Por que isso é grave
O Painel do Conhecimento é tratado, na prática, como uma fonte validada pelo Google. Quando um link pirata aparece nesse espaço, o buscador acaba:
- Legitimando a pirataria, mesmo que de forma indireta
- Reduzindo o tráfego e a receita de editoras, estúdios e plataformas oficiais
- Confundindo o usuário, que passa a acreditar que aquele acesso é regular
Para muitos usuários, se o link está no Painel do Conhecimento, ele é “oficial”.
Harry Potter como exemplo recorrente
Termos como “Harry Potter livro PDF”, “Harry Potter assistir online” ou mesmo buscas genéricas pelo nome da franquia frequentemente retornam:
- PDFs completos de livros
- Sites de streaming não oficiais
- Agregadores que hospedam ou redistribuem arquivos protegidos por copyright
Observe um exemplo:

O problema não se limita a Harry Potter, mas a franquia se torna um caso emblemático por sua popularidade global e alto volume de buscas.
Falha de moderação algorítmica?
O Google afirma, há anos, que combate a pirataria e responde a notificações via DMCA. No entanto, os casos observados indicam possíveis falhas em três frentes:
- Curadoria automática do Painel do Conhecimento, baseada em fontes externas
- Classificação algorítmica, que prioriza relevância sem avaliar licenciamento
- Atualização lenta após denúncias de violação de direitos autorais
Na prática, o algoritmo parece premiar páginas “úteis” ao usuário, mesmo quando essa utilidade viola a legislação.
Impactos para publishers e indústria criativa
- Queda de vendas de livros físicos e digitais
- Menor adesão a plataformas oficiais de streaming
- Desvalorização do trabalho intelectual
- Incentivo indireto à cultura do “conteúdo grátis”, mesmo quando ilegal
Para pequenos e médios publishers, o impacto é ainda maior, pois não há estrutura jurídica para monitorar e denunciar milhares de URLs.
Para Ed, chefe do portal Cabana do Leitor, as mudanças algorítmicas levam a “pessoas perderem seu sustento da noite para o dia”, inclusive, gerando graves problemas de saúde mental. Além disso, salientou que “para as empresas grandes como HBO Max que detém a propriedade como marcar como Harry Potter isso significa a perda de milhares e milhares de doláres, tudo para promover conteúdo de baixa qualidade e em alguns casos até mesmo criminosos, enquanto esconde os criadores reais da busca e do Discover“.
O que o Google deveria fazer
Especialistas defendem medidas mais rígidas, especialmente em áreas de destaque da SERP:
- Bloqueio preventivo de domínios reincidentes em pirataria
- Curadoria manual no Painel do Conhecimento para obras protegidas
- Prioridade absoluta a fontes oficiais e licenciadas
- Transparência sobre critérios de exibição desses links.
Por mais que o Google divulgue, de tempos em tempos, pronunciamentos sobre possível resolução de problemas ligados à pirataria e às fakenews, na prática, os editores e os usuários pouco têm sentido de diferença.
Conclusão
Ao permitir — ainda que de forma indireta — a exibição de conteúdo pirata em espaços nobres da Busca, o Google enfraquece o ecossistema criativo e coloca em xeque seu discurso público de combate à pirataria.
O caso envolvendo buscas por Harry Potter é apenas um exemplo visível de um problema estrutural mais amplo, que exige respostas rápidas, técnicas e transparentes do principal buscador do mundo.
Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.
- Willian Portohttps://naoeagencia.com.br/author/naoeagencia/
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