Pesquisa do Google incentiva conteúdo pirata na Busca para livros e filmes; confira!

Willian Porto
6 Min Read

O painel do conhecimento, por vezes, indica livros e filmes piratas.

Diversas buscas realizadas no Google indicam um problema recorrente e sensível para a indústria editorial e audiovisual: a exposição de livros e filmes piratas diretamente na Busca, inclusive em áreas de alto destaque, como o Painel do Conhecimento.

Testes recentes mostram que pesquisas relacionadas a Harry Potter — tanto pelos livros quanto pelos filmes — retornam links que direcionam o usuário a versões não oficiais, gratuitas e potencialmente ilegais das obras.

Onde o problema aparece

O ponto mais crítico não está apenas nos resultados orgânicos tradicionais, mas sim em espaços considerados “confiáveis” pelo próprio Google:

  • Painel do Conhecimento, que aparece à direita da SERP no desktop ou mesmo no centro, como foi o caso das principais consultas.
  • Blocos ao lado de “onde assistir” ou “ler online”
  • Sugestões automáticas e resultados enriquecidos

Em alguns casos, o usuário encontra links para PDFs completos de livros, arquivos de vídeo ou plataformas que distribuem o conteúdo sem autorização dos detentores de direitos.

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Pobreflix é divulgado como opção para assistir ao filme, ao lado das empresas de streaming.

O problema pode ser reproduzido em vários dos filmes/livros ao buscar pelo título:

Observe que Tumblr é exibida como fonte para a leitura do livro.

O mesmo ocorre com buscas para “Câmara Secreta”.

Por que isso é grave

O Painel do Conhecimento é tratado, na prática, como uma fonte validada pelo Google. Quando um link pirata aparece nesse espaço, o buscador acaba:

  • Legitimando a pirataria, mesmo que de forma indireta
  • Reduzindo o tráfego e a receita de editoras, estúdios e plataformas oficiais
  • Confundindo o usuário, que passa a acreditar que aquele acesso é regular

Para muitos usuários, se o link está no Painel do Conhecimento, ele é “oficial”.

Harry Potter como exemplo recorrente

Termos como “Harry Potter livro PDF”“Harry Potter assistir online” ou mesmo buscas genéricas pelo nome da franquia frequentemente retornam:

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  • PDFs completos de livros
  • Sites de streaming não oficiais
  • Agregadores que hospedam ou redistribuem arquivos protegidos por copyright

Observe um exemplo:

Ao buscar pelo livro, a indicação é um portal dentro de WordPress.com que leva ao livro completo, sem precisar realizar a compra.

O problema não se limita a Harry Potter, mas a franquia se torna um caso emblemático por sua popularidade global e alto volume de buscas.

Falha de moderação algorítmica?

O Google afirma, há anos, que combate a pirataria e responde a notificações via DMCA. No entanto, os casos observados indicam possíveis falhas em três frentes:

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  1. Curadoria automática do Painel do Conhecimento, baseada em fontes externas
  2. Classificação algorítmica, que prioriza relevância sem avaliar licenciamento
  3. Atualização lenta após denúncias de violação de direitos autorais

Na prática, o algoritmo parece premiar páginas “úteis” ao usuário, mesmo quando essa utilidade viola a legislação.

Impactos para publishers e indústria criativa

  • Queda de vendas de livros físicos e digitais
  • Menor adesão a plataformas oficiais de streaming
  • Desvalorização do trabalho intelectual
  • Incentivo indireto à cultura do “conteúdo grátis”, mesmo quando ilegal

Para pequenos e médios publishers, o impacto é ainda maior, pois não há estrutura jurídica para monitorar e denunciar milhares de URLs.

Para Ed, chefe do portal Cabana do Leitor, as mudanças algorítmicas levam a “pessoas perderem seu sustento da noite para o dia”, inclusive, gerando graves problemas de saúde mental. Além disso, salientou que “para as empresas grandes como HBO Max que detém a propriedade como marcar como Harry Potter isso significa a perda de milhares e milhares de doláres, tudo para promover conteúdo de baixa qualidade e em alguns casos até mesmo criminosos, enquanto esconde os criadores reais da busca e do Discover“.

O que o Google deveria fazer

Especialistas defendem medidas mais rígidas, especialmente em áreas de destaque da SERP:

  • Bloqueio preventivo de domínios reincidentes em pirataria
  • Curadoria manual no Painel do Conhecimento para obras protegidas
  • Prioridade absoluta a fontes oficiais e licenciadas
  • Transparência sobre critérios de exibição desses links.

Por mais que o Google divulgue, de tempos em tempos, pronunciamentos sobre possível resolução de problemas ligados à pirataria e às fakenews, na prática, os editores e os usuários pouco têm sentido de diferença.

Conclusão

Ao permitir — ainda que de forma indireta — a exibição de conteúdo pirata em espaços nobres da Busca, o Google enfraquece o ecossistema criativo e coloca em xeque seu discurso público de combate à pirataria.

O caso envolvendo buscas por Harry Potter é apenas um exemplo visível de um problema estrutural mais amplo, que exige respostas rápidas, técnicas e transparentes do principal buscador do mundo.

Publisher e Especialista em SEO | Web |  + posts

Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.

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