A Microsoft está na vanguarda de uma iniciativa para criar um novo modelo de negócios na era da Inteligência Artificial.
De acordo com Axios, a empresa está em negociações com editores selecionados nos Estados Unidos para lançar um programa piloto, chamado de Publisher Content Marketplace (PCM). O objetivo é estabelecer um mercado de duas vias que compense os editores pelo uso de seu conteúdo em produtos de IA, começando com o assistente Copilot.
Por que isso é importante?
Se for bem-sucedido, o PCM faria da Microsoft a primeira grande empresa de tecnologia a construir um mercado de IA para editores, um marco crucial na criação de um modelo de negócios sustentável para empresas de conteúdo.
Esse movimento contrasta com a abordagem atual da maioria das empresas de IA, que se concentram em acordos de licenciamento pré-pagos, e não em uma compensação por uso.
Entretanto, até o momento, as poucas informações veiculadas não nos permitem fazer uma análise mais aprofundada. Por exemplo, o pagamento mais eficaz é o que identifica quais são as fontes da informação, mais do que de qual portal aquela informação foi retirada.
Além disso, vale ressaltar, que o modelo de apoio a notícias da Microsoft (Microsoft Pubhub) é ainda menos transparente que o Google News, contendo ainda menos informações.
Nesse cenário, o novo programa deverá ser mais transparente para conseguir ajudar o jornalismo como um todo.
Detalhes da iniciativa
Os principais pontos revelados até agora são:
- O programa piloto será lançado com um número limitado de editores.
- A Microsoft planeja expandir o piloto ao longo do tempo, trabalhando com os parceiros para desenvolver ferramentas, políticas e modelos de precificação eficazes.
- O Copilot será o primeiro “comprador” de IA dentro deste mercado. A Microsoft espera, eventualmente, incluir outros produtos de IA.
- A iniciativa foi discutida no Partner Summit da Microsoft em Mônaco, onde a empresa defendeu que os criadores de conteúdo “merecem ser pagos pela qualidade de sua propriedade intelectual”.
- A data exata de lançamento do piloto ainda não foi divulgada.
A dificuldade de escalar
A indústria de mídia anseia por uma solução de mercado como essa. Startups menores como ProRata.ai e TollBit já tentaram construir modelos de mercado, mas carecem do inventário e da escala para compensar os editores de forma significativa. A participação de uma empresa como a Microsoft, com sua vasta base de usuários e clientes corporativos, é fundamental para o funcionamento de um mercado de duas vias.
A abordagem da Microsoft se destaca em comparação com outros gigantes da tecnologia:
- Google: A maior empresa de busca do mundo demonstrou pouco interesse em mercados de IA e tem fechado pouquíssimos acordos de licenciamento.
- Meta: Recentemente, a Meta tem intensificado as negociações sobre acordos de IA com parceiros de publicação.
- OpenAI: Até agora, a OpenAI, na qual a Microsoft é a maior investidora minoritária, tem liderado os acordos de IA com editores. No entanto, a Microsoft também enfrentou desafios legais por violação de direitos autorais em ações movidas por editores como o New York Times.
Embora o tráfego do Copilot para consumidores seja menor em comparação com o ChatGPT, a força da Microsoft reside em sua enorme base de clientes corporativos que utilizam o Microsoft 365 e o Azure. O sucesso do PCM poderia levar a Microsoft a aprofundar seu relacionamento com os editores e, potencialmente, influenciar o Google a seguir o mesmo caminho.
A dificuldade em lidar com o ecossistema
Por mais que seja importante e necessário recompensar os produtores de conteúdo, deve-se evitar a euforia quando alguns poucos portais conseguirem recursos com Big Techs. Ao contrário, o cenário só será favorável quando todo o ecossistema de jornalismo for contemplado nas iniciativas. Beneficiar os principais veículos apenas aumentará a desigualdade entre a cobertura independente ou de pequena escala e os maiores portais.
Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.
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