Google Discover na França: editores recebem ação manual por falta de transparência; o que fazer no Brasil?

Willian Porto
9 Min Read

Uma onda de ações manuais tem atingido nos últimos dias diversos editores com visibilidade no Google Discover, principalmente na França, mas com relatos se estendendo a outros mercados como EUA e Itália. A causa principal? Não conformidade com as regras de transparência do Google. 

Este movimento acende um alerta para criadores de conteúdo em todo o mundo, incluindo o Brasil, sobre a importância de práticas editoriais claras e identificáveis.

Ainda que seja um evento diferente do Brasil, em que diversos portais relatam quedas, sem ações manuais por parte do Google, entender o movimento francês é útil para evitar que situações parecidas ocorram também aqui.

A penalidade, que aparece na Google Search Console como uma ação manual abrangendo todas as páginas do site e visando especificamente o conteúdo do Discover e do Google News, pode resultar na exclusão do site dessas plataformas e, em casos mais graves, até na desindexação completa.

- Assine nossa Newsletter -

O que está acontecendo? Uma aplicação mais rigorosa das regras de transparência

Relatos de consultores de SEO e editores, como @fabienr34 e @lucastrnx no X (antigo Twitter), confirmam a natureza dessas penalidades: estão diretamente ligadas à falta de transparência. Embora o Google não tenha anunciado oficialmente um endurecimento de suas políticas, a empresa tem estado sob pressão midiática e judicial recentemente.

  • Investigações Críticas: No final de março, uma investigação da France Télévisions expôs “o reino dos sites gerados por IA”, identificando mais de 130 falsos veículos de mídia no Discover, com autores fictícios e erros grosseiros.
  • Ação Judicial: No início de maio, a justiça francesa ordenou o bloqueio do site News.dayFR.com, acusado de plagiar milhares de artigos diariamente usando IA para agregar conteúdo automatizado e monetizá-lo via Google Ads.

Em ambos os casos, o Google foi diretamente citado e afirmou estar lutando ativamente contra abusos por meio de seus filtros anti-spam e proibindo a monetização de conteúdo de baixa qualidade. A empresa indicou ter cortado a publicidade de alguns dos sites problemáticos.

É uma hipótese crível que essa pressão externa tenha levado o Google a aplicar suas diretrizes de transparência de forma mais rigorosa e visível através de ações manuais, mesmo que uma política formal de endurecimento não tenha sido comunicada.

Tradução: Seu site não está em conformidade com nossa política de transparência, pois não contém uma série clara de informações, ou seja, uma data, o nome do autor, informações sobre o autor, a publicação, a editora, a empresa ou rede que originou a fonte e os detalhes de contato. Saiba mais

O que o Google espera dos editores em termos de transparência?

As exigências do Google em relação à transparência, detalhadas em sua documentação sobre as políticas do Google Notícias e Discover, não são complexas, mas são fundamentais. O objetivo é que os leitores saibam claramente quem publica o quê, quando e para quem.

Isso se traduz em requisitos práticos:

- Assine nossa Newsletter -
  1. Autoria Identificável: Cada artigo deve ter um nome de autor claro. É crucial que este autor seja real e, idealmente, tenha uma biografia (bio) ou um perfil que demonstre sua expertise e credibilidade.
  2. Data de Publicação Visível: A data em que o conteúdo foi publicado (ou significativamente atualizado) deve ser facilmente acessível ao leitor.
  3. Página “Sobre Nós” (ou “Quem Somos”) Clara: O site deve fornecer informações transparentes sobre o editor, a equipe editorial, a empresa por trás da publicação e sua missão.
  4. Informações de Contato Profissionais: Devem existir formas claras e profissionais de entrar em contato com a publicação (e-mail, telefone, endereço físico, se aplicável), e não apenas um formulário de contato genérico ou “fantasma”.
  5. Transparência sobre Conteúdo Gerado por IA: Caso o conteúdo seja produzido ou significativamente assistido por Inteligência Artificial, isso deve ser indicado de forma clara ao leitor.

A ausência desses elementos, mesmo que o conteúdo em si seja original e de qualidade, pode ser suficiente para justificar uma ação manual. A falta de um autor claro, de contexto sobre a publicação ou de um quadro editorial definido são vistos como sinais de baixa transparência.

O que fazer no Brasil? Como se adequar e evitar sanções

Para os editores e profissionais de SEO no Brasil, mesmo que a onda de penalidades ainda não tenha chegado com a mesma intensidade, a mensagem é clara: não basta apenas publicar conteúdo de qualidade; é preciso assumir e comunicar claramente sua autoria e responsabilidade editorial.

Aqui estão algumas recomendações práticas para se adequar e, mais importante, construir um site que transmita confiança e transparência, alinhado com as expectativas do Google e dos usuários:

- Assine nossa Newsletter -
  1. Autores Reais e Bios Completas:
    • Certifique-se de que todos os artigos tenham um autor claramente identificado.
    • Crie páginas de perfil para cada autor, detalhando sua experiência, credenciais, formação e, se possível, links para suas redes sociais profissionais ou outros trabalhos publicados. Evite perfis genéricos ou anônimos.
  2. Página “Sobre Nós” Robusta e Transparente:
    • Vá além do básico. Apresente a história da sua publicação, sua missão editorial, os valores que guiam seu trabalho e quem faz parte da equipe principal.
    • Se for uma empresa, inclua informações sobre ela. Se for um projeto pessoal, explique suas motivações e qualificações.
  3. Informações de Contato Acessíveis e Profissionais:
    • Disponibilize múltiplas formas de contato (e-mail editorial, telefone, formulário).
    • Para empresas, um endereço físico (mesmo que seja de um escritório virtual, se for o caso) adiciona uma camada de credibilidade.
  4. Políticas Editoriais Claras:
    • Considere publicar suas políticas editoriais, incluindo como você verifica fatos, corrige erros e lida com feedback dos leitores.
  5. Datas de Publicação e Atualização:
    • Garanta que todas as postagens exibam claramente a data de publicação original.
    • Se um conteúdo for significativamente atualizado, indique também a data da última atualização.
  6. Declaração sobre Uso de IA (Se Aplicável):
    • Se você utiliza IA para gerar ou auxiliar na criação de conteúdo, seja transparente sobre isso. Crie uma política clara e, se necessário, indique nos próprios artigos quando a IA foi utilizada.
  7. Revisão de Metadados:
    • Assegure-se de que todas as páginas públicas contenham os metadados necessários e corretos (como author e datePublishedno Schema.org, por exemplo), embora a penalidade atual pareça focar mais no que é visível ao usuário.

O que fazer em caso de penalidade?

Se o seu site for atingido por uma ação manual por falta de transparência, o caminho é:

  1. Analisar a Mensagem na Search Console: Entenda exatamente qual é o problema apontado pelo Google.
  2. Corrigir Todas as Não Conformidades: Implemente todas as mudanças necessárias em seu site para atender aos requisitos de transparência listados acima.
  3. Documentar as Mudanças: Mantenha um registro de todas as alterações feitas.
  4. Solicitar Reexame: Após corrigir os problemas, envie um pedido de reconsideração através da Google Search Console, explicando detalhadamente as medidas tomadas para se adequar às diretrizes.

A transparência como pilar da confiança

A recente onda de ações manuais no Google Discover serve como um lembrete enfático da crescente importância da transparência editorial. O Google parece estar intensificando seus esforços para garantir que os usuários saibam quem está por trás do conteúdo que consomem, especialmente em um cenário onde a desinformação e o conteúdo gerado por IA de baixa qualidade são preocupações crescentes.

Para os editores brasileiros, a lição é proativa: revise suas práticas editoriais agora, fortaleça a identificação de seus autores, seja claro sobre quem você é e como pode ser contatado. Construir e manter a confiança do público – e, por extensão, do Google – passa, cada vez mais, por uma política de transparência inegociável. Não espere uma ação manual para agir.

Publisher e Especialista em SEO | Web |  + posts

Publisher do "Não é Agência!" e Especialista de SEO, Willian Porto tem mais de 21 anos de experiência em projetos de aquisição orgânica. Especializado em Portais de Notícias, também participou de projetos em e-commerces, como Americanas, Shoptime, Bosch e Trocafone.

Compartilhe este artigo